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quarta-feira, 31 de agosto de 2011



Já há muito tempo que o dia partira e dera lugar a uma bela noite de Verão. Apenas uma leve e quente brisa pairava no ar. Não se ouviam ruídos, apenas as nossas respirações. Lembro-me de estarmos deitados no pequeno terraço abandonado, a olhar o céu, coberto por uma manta estrelada, que fascinava uma qualquer pessoa que admirasse o que víamos naquele momento. A tua mão, lentamente, aproximou-se da minha e, ao primeiro toque estremeci. Não demorou muito até enlaçarmos completamente as nossas mãos. As estrelas continuavam a ser o alcance dos meus olhos, mas sem prever, um olhar misterioso atravessou aquela tela de escuridão. Não foi possível dizer nada, não houve tempo, não foi preciso. A paixão falou por si.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O tempo parou. Os ponteiros do relógio pararam. Não voltou a amanhecer e tornou-se noite para sempre. Os nossos lábios permaneceram unidos sobre o movimento petrificado das estrelas. O vento deixou de soprar e o frio não mais vagueava por entre a escuridão. Entre nós nem o vazio existia. Agarraste-me com a força de quem me quer para sempre. Aqueceste-me o coração.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Queres saber um segredo? Vem, aproxima-te mais para as palavras não fugirem. Ouve bem, com atenção, o que te vou dizer. Acho que estou a ficar apaixonada.

domingo, 21 de agosto de 2011

O que me corre nas veias é doce de morango. O meu cérebro é algodão doce e o meu coração uma pipoca.

Nós mudámos. Desde aquela estúpida discussão que nos ia custando a amizade de anos, mudou praticamente tudo. Já não passávamos os dias juntas, já não partilhávamos segredos, não falávamos sequer uma com a outra. As melhores amigas de sempre já não o eram mais. Ou talvez no fundo sempre permanecemos nesse estatuto no coração uma da outra. Gosto de pensar que sim, que foi essa a força que nos permitiu deixar o orgulho de lado. Nesse ano, foi como se uma tempestade tivesse destruído tudo aquilo que construímos ao longo do tempo. As paredes da nossa amizade já não estavam mais de pé. Foi difícil, foi duro, foi muitas vezes insuportável a dor de estar prestes a ter a certeza de que aquelas paredes nunca mais se voltariam a erguer. Mas dizem que depois de uma maldita tempestade, um sol radioso sempre volta para iluminar os caminhos mais sombrios e guiou-nos de volta uma à outra. A nossa amizade está mais forte que nunca e começámos a pintar as paredes que reconstuímos. Seremos velhinhas e, sentadas no sofá da sala, iremos olhar à nossa volta e ter orgulho. Orgulho de tudo o que nos pertence dentro daquelas quatro paredes. Te amo hermana.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Talvez os nossos dias como um só tenham mesmo chegado ao fim. Estamos prestes a encontrar a ponta do novelo e entretanto já nos fomos enrolando no resto do fio de modo a sufocarmo-nos mutuamente se permanecermos juntos, sem colocarmos um ponto final na nossa história. Tu sabes que te vou ter sempre no coração, não sabes? Tens de saber também que está na hora de nos deixarmos levar por ventos distintos, correntes contrárias e estradas paralelas. Sem correr riscos. Sem nos voltarmos a apaixonar, sem nos voltarmos a amar tanto. E dói pensar que se isso voltar a acontecer não demorará até reaparecer a angústia e sofrimento, naturalmente, porque apesar de sermos feitos um para o outro, os nossos espíritos necessitam manter-se livres.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Não importa o que faça ou não, o que quero ou não. Os meus pensamentos pertencerão sempre a alguém. Haverá sempre um nome, um rosto, um sorriso, um gesto, uma palavra, um carinho que talvez nem exista e seja apenas imaginação minha. Eu estou sempre apaixonada. Não tenho vergonha que assim seja. É bom que haja alguém que nos faz feliz só por simplesmente existir. Claro que também dói, quando a paixão não é correspondida. Mas também sei o que é o amor, não pensem que não. Já amei. Já tive o meu primeiro amor e apesar de ter sofrido muito, sei que nunca amarei ninguém da mesma forma.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Vamos fingir que estamos apaixonados. Só hoje. Só esta noite. Vamos deitar-nos no meio da estrada, a ver as estrelas. Não passam carros a esta hora da madrugada. Só se ouve o vento a passar por entre as folhas das grandes árvores nas margens. Apanhas uma estrela para mim ou dás-me somente a Lua? Bem, simplesmente não interessa. Eu só queria que me desses o teu coração e recebesses o meu em troca, se prometesses cuidar dele, sem o magoares ou ferires. Lamento que só em falsas ilusões isso possa vir a acontecer. Lamento que sejam essas ilusões que alimentem o meu amor por ti. É mais forte que eu. Desculpa-me por isso. Desculpa-me por ter tornado tudo tão estranho, mas por vezes é impossível esconder algo que é mil vezes maior que nós. Vamos continuar a fingir que estamos apaixonados. Só por mais uns momentos. Não falta muito para amanhecer. Vamos viver este amor até ser dia. Depois deixo-te ir. Segues o teu caminho e eu permaneço neste mesmo lugar, à tua espera. Para sempre, em vão.
Começa cedo o dia e bates três vezes na porta da minha casa. Sei que és tu, só podes ser tu a esta hora. Envolve-me um calor humano e harmonioso, acompanhado de um beijo terno de bom-dia. Enquanto continuas a tentar beijar-me a bochecha, o nariz e a testa, tento fechar a porta atrás de ti. Estamos mais à vontade assim, não estamos? Ainda falta tempo para o piquenique e, por isso, vamos ver um filme, daqueles lamechas, em que no final eles são felizes para sempre. Como nós podemos ser um dia, se tu quiseres, tal como eu quero. Lá no fundo eu sei que gostas de os ver. Principalmente comigo. Podemos fazer pipocas e trazer dois copos cheios de sumo fresco para a sala. O sofá está por nossa conta. Pões-te confortável e encostas-te no teu lugar favorito do sofá. Sim, tu tens um lugar favorito. Eu também tenho e é encostada a ti. Assim ficamos, fazendo alguns intervalos repletos de beijinhos, agarrados até o filme acabar. Já são horas de irmos. Chegar à estação demora e o parque ainda fica longe, já para não dizer que temos de preparar o almoço. Saímos de casa. Apressas-te a dares-me a tua mão, como se tivesses medo que fugisse para algum lado. Como se isso fosse possível até. O teu sorriso é radioso e o brilho do teu olhar quando cruza o meu é demasiado especial para o conseguir descrever em palavras, pois não existem suficientes e certas para o fazer. Continuamos assim até à estação do metro e, da estação de metro até ao parque, entre risos, beijos e promessas ternas ao ouvido. Não está muita gente por aqui, talvez por ser quinta-feira, dia de semana. Não há tempo para vir ensinar a filha a andar de bicicleta ou jogar à bola com o filho. Há o sábado e o domingo e quando o é. Arranjámos o sítio perfeito para passar a nossa tarde de verão. Estendemos a manta vermelha sobre a relva verde e fresca e comecei a distribuir as maravilhosas sandes preparadas por ti, enquanto me vestia no quarto, esta manhã. E o sumo de laranja? Uma delícia. Como sei que és guloso, trouxe dentro da minha mala alguns chocolates, daqueles teus preferidos. Não sei onde tinha a cabeça quando os coloquei lá. Ora, eles agora estão derretidos, mas isso não é impedimento para sujares os teus dedos e a seguir o meu nariz, não é verdade? Arrumámos tudo e deitámo-nos na manta. O teu braço direito faz agora de almofada para a minha cabeça e as nossas mãos envolvem-se novamente. O céu está bonito, com algumas nuvens. Não nuvens negras. Brancas, bonitas e com tantas formas diferentes. Tu vês a forma de um coração, mesmo acima das nossas cabeças. É, lá está essa nuvem. Será o meu coração ou será o teu? Tu respondes que é o nosso, porque somos um só. Senti os teus lábios na minha testa. Ai, como eu gosto de beijinhos na testa. Dos teus beijinhos. O dia voou e já se faz tarde. Leva-me para casa, meu amor.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Abraça-me. Preciso tanto de sentir o calor do teu abraço, do teu corpo. Envolve-me nos teus braços como se de uma última vez se tratasse. O dia está a ser difícil e no fim só queria mesmo poder sentir-te. Não sabes, nem sequer imaginas a falta que me faz ter-te aqui comigo. Ouvir a tua voz, escutar a tua respiração. Por favor, vem abraçar-me esta noite.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Não és quem aparentas ser, nem nunca foste. Usas essa máscara arrogante e fria, talvez nem por escolha própria. Talvez as circunstâncias te tenham forçado a colocá-la. Com ela, sentes-te mais forte e superior. Não me admiro por te acharem uma má pessoa, quando usas essa força e suposta superioridade para enfraquecer e inferiorizar os demais. Isso faz-te sentir melhor? São as palavras cruéis e os gestos desumanos que te alimentam? Se assim o é, não devia. Não devia ser essa a razão que te move, porque um dia, essa máscara cairá por terra e sentirás a tua própria frieza correr-te pelo sangue. Irás sentir-te tão ou mais frágil do que todos aqueles que silenciaste de forma vil.
"Desejou que ele a beijasse. Quis que ele arrastasse sua mão e a puxasse para si.", in A Rapariga que Roubava Livros.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

É tudo uma questão de tempo. Não demoras a entrar na minha vida. Permaneces até eu cair em mim e perceber que me apaixonei pela pessoa errada. Demoras a sair da minha vida, da minha mente, da minha alma, de mim. Tenho sorte de ter o tempo, pois este cura tudo. Sara as feridas mais profundas. Cura-me deste e de outros amores.