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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ao lado da cama onde se encontrava sentada, o pequeno candeeiro de luz fraca em cima da mesinha de cabeceira era a sua única esperança. A luz fraca era o seu coração, que apesar de ferido ainda batia. Não sabia o que pensar. Não conseguia sequer, pois a sua mente era agora um emaranhado de pensamentos vazios. Abriu a primeira gaveta e do meio de alguns pedaços de papel escritos, cartas abertas e por abrir, retirou um cigarro e um isqueiro perdidos naquela confusão de palavras e sentimentos. Assim que acendeu o cigarro e deitou cá para fora uma nuvem cinzenta de fumo, sentiu o coração querer vir atrás. Nisto, a porta do quarto entreaberta moveu-se lentamente. Alice acabara de entrar. Como sempre, sentiu que algo de estranho se passava. Subiu num salto para a cama alta e no instante seguinte já se estava a aninhar ao colo da sua protegida. Alice era a sua gata de estimação. Ela sabia e estava sempre presente quando era preciso confortá-la, quando mais ninguém o fazia. Porém, já nem a sua pequena bola de pêlo a fazia sorrir.
Continuou num esforço bruto a tentar decifrar o monte de vazio que pairava sobre a sua cabeça. Não era suposto a vida desabar mesmo à sua frente, mesmo aos seus pés.
Lembrou-se então do que antes lhe haviam dito, por outras palavras: a causa de tudo o que estava a sentir naquele momento chamava-se destino. O vazio era o destino. O destino que já estaria esperando por ela. Contudo, ela própria não acreditava. “Do destino fazem parte as escolhas que fazemos. Ele fez as suas. O destino de que me falara foi apenas uma desculpa para a sua cobardia”, pensou.
Apagou o cigarro, levantou-se levando Alice ao colo e saiu daquele quarto. Foi procurar a felicidade que um cobarde lhe roubou.

13 comentários:

  1. uau, a frase final dá aquele toque. adoro.
    muito obrigada, ana :)

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  2. aw, que fofinha! eu não tenho tido mesmo tempo mas sempre que posso venho partilhar o que escrevo com vocês. também já estava com saudades de ler estes teus textos. faz falta isto, totally <3

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  3. vou fazer por estar sempre aqui, a escrever (vos) e a ler-vos, claro :)

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  4. que lindo :)) e obrigada querida, ana

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  5. amei, o destino somos nós que o fazemos diariamente, com as nossas escolhas e decisões.

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  6. de nada, o teu blog está realamente maravilhoso!

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"Nada me prende a nada.
Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo."